4/08/2010

Ora! Funcionário Também Faz Parte da Empresa


Hoje na aula do MBA de Gestão de Pessoas, recebemos um Case, como método de avaliação do módulo em curso.

O Case relatava a situação de uma empresa que estava passando por uma crise financeira e com alguns clientes interno, algumas decisões seriam cruciais, uma delas, trata a questão de uma possível reestruturação na empresa, incluindo possíveis demissões.

Sempre a demissão parece ser a melhor escolha nesses momentos dificeis de uma organização, entretanto, fiquei feliz quando percebi que a discussão em sala de aula, pode ser fundamentada através da tomada de decisão de uma grande empresa, cuja matéria foi publicada em uma revista renomada da área (Harvard Business Review ).
Leia abaixo, para entenderem melhor o que relatei.
Um dos artigos que me chamou a atenção foi o: “Hora de demitir”, era um estudo de caso, a revista faz a descrição e depois um grupo de pessoas com experiência naquele assunto faz sua análise da situação. A história era muito interessante, uma empresa de varejo, familiar e com capital aberto estava passando por uma crise que resultaria na queda no preço das ações em função da diminuição do lucro. O presidente será pressionado pelo conselho a tomar decisões para que não haja perda nos lucros e a maioria dos executivos acreditava que a melhor solução seria demitir 10% do quadro de funcionários.
A partir daí cada analista dá seu ponto de vista, fiquei muito feliz quando li o texto de um cara chamado Jürgen Dormann, que foi presidente da Hoechst e depois da Aventis, prova que há salvação na indústria farmacêutica. Ele descreveu o processo de entrada em uma das empresas das quais foi presidente e, segundo o texto: “A empresa tinha crescido demais: em seis anos, comprara mais de 150 empresas. Uma péssima gestão, brigas na justiça pela suposta exposição ao amianto, uma crise econômica e custos em alta – incluindo salários desmedidos para presidentes anteriores – tinham deixado bilhões de dólares em dívida, a empresa estava prestes a quebrar, embora ninguém estivesse preparado para acreditar nisso”.
Fiquei muito emocionada com a decisão que ele tomou: ” Escrevi para todo trabalhador e disse a verdade nua e crua: que se não fizéssemos juntos o barco dar a volta, estaríamos todos na rua. Disse que manteria todos informados. Deixei claro que demitir era a última, a pior das opções, mas que, para que todos se salvassem cada um de nós teria de buscar ideias para reduzir custos”.
Ele conta que as primeiras ideias fizeram com que a empresa economizasse US$ 600 milhões durante o primeiro ano, e ainda não era suficiente, novamente ele pediu ideias para os funcionários e seus familiares e conseguiram poupar 1 bilhão, e assim a empresa se recuperou.
Achei uma decisão muito sábia, quantas vezes temos problemas complexos que deveriam ser divididos com todos os envolvidos, principalmente quando o impacto não será somente na vida do funcionário, mas de toda a sua família e, na maioria das vezes, as pessoas responsáveis tomam decisão sozinhas em função do cargo que elas representam.
Eu fico feliz quando vejo que alguma coisa que penso consegue ser comprovada por histórias que deram certo. Pra mim, não existe outro caminho a não ser engajar os funcionários nos desafios da organização. O diálogo cria vínculos e faz com que as pessoas se comprometam em encontrar uma solução, sacrificar seu tempo e talvez até seu salário se a coisa estiver preta.
Muitas vezes quando estamos “no controle” de alguma coisa, caímos na besteira de não refletir que não adianta nada uma boa ideia( que saiu da nossa cabeça) se na implementação ninguém acreditar que aquilo faz sentido.
Quanto poderemos ganhar ou economizar se tivermos a coragem de acreditar que realmente só podemos ser sábios juntos?

Nenhum comentário:

Postar um comentário